Mongolia

O plano inicial era o de escalar o Monte Elbrus como parte da minha preparação para a escalada do Aconcágua no início de 2013. Com essa idéia na cabeça, me inscrevi em uma viagem com o Manoel Morgado, um dos mais experientes guias de montanha do Brasil, que já havia guiado diversos clientes na escalada do Elbrus. Porém, devido a problemas políticos na Rússia, o governo proibiu o acesso ao Monte Elbrus, o que acabou nos levando a uma agradável surpresa: a escalada da montanha mais alta da Mongólia, um país até então pouquíssimo conhecido por mim e pela maioria dos brasileiros, de cultura milenar e que se revelou um lugar incrível.

Ao chegarmos a Ulaanbaatar, capital da Mongólia, fomos logo conhecer a cidade. Visitamos o Museu de História Natural e o Museu Nacional. Além dos museus, assistimos a um show típico de “throat singing” (canto de garganta), que é uma técnica mongol de se cantar com a garganta em vez de usar instrumentos. No dia seguinte fomos ao maior evento do país, o Naadam, que é uma espécie de olimpíada local. Os esportes praticados (luta livre, corrida de cavalos e arco e flecha) são de tradição medieval e os mongóis comparecem em peso para torcer para seus ídolos.

Depois do banho de cultura, era hora de ir para a montanha. Pegamos um vôo de 3 horas até Ulgi, uma cidade no extremo oeste mongol, habitada em sua maioria por cazaques. De lá, iniciamos um trekking de aproximação da montanha que durou seis dias, passando pelas mais variadas paisagens. Lá vimos florestas, imensos lagos, pântanos e as primeiras montanhas nevadas ao longe, que nos deixaram empolgados. Depois de seis dias de trekking, chegamos ao campo base do Khuiten. Estávamos ávidos por iniciar nossa aclimatação e nosso objetivo neste dia era uma montanha de 4100 metros de altitude, de pouca dificuldade técnica, chamada Malchin. Éramos os primeiros brasileiros a escalar uma alta montanha na Mongólia e estávamos radiantes com a vista lá de cima. Conseguimos avistar nosso objetivo principal, o Khuiten, de 4374 metros, que é uma belíssima montanha.

No outro dia subimos 600 metros em pouco menos de 4 horas até o campo alto. No outro dia, após a subida de uma rampa inclinada, chegamos à crista que seguia até o cume. Depois de seis horas de escalada, alcançamos o ponto culminante da Mongólia. Era hora de comemorar e de apreciar uma das mais bonitas paisagens da Terra. Conseguíamos enxergar três países do cume: do lado sul, a China, com sua paisagem desértica; a oeste, a Mongólia, com seu relevo montanhoso e ao norte a impressionante paisagem da Sibéria, repleta de cumes nevados, dando uma visão perfeita para a foto de cume com a bandeira brasileira, que, pela primeira vez, era colocada no alto dessa montanha.

A volta para Ulaanbaatar foi repleta de histórias alegres, fotos de paisagens exuberantes e a sensação de dever cumprido. Não só tínhamos alcançado nosso objetivo, mas saímos dessa experiência com a certeza de que tínhamos feito amigos para a vida toda; pessoas que dividiram momentos importantes, fazendo com que a viagem e a escalada realmente se tornassem inesquecíveis.


-- Eduardo Santos Filho
Empresário
Belo Horizonte - MG

alt